Tuesday, May 31, 2005

No meio do caminho, havia um Mohammed

Em primeiro lugar, quero agradecer a minha mae por ter me mandado alguns dos livros que eu pedi. Mae, vc faz a minha vida melhor.

Estava indo para o meu curso hj, minto. estava indo para a reuniao da festa brasileira que a gente ta organizando. Dai tava no patio da Uni, caminhando em direcao ao lugar e lendo um dos livros que a minha mae mandou. Gosto muito de ler andando, mas em Sampa nao da porque as calcadas sao esburacadas. Mas aqui da, pq nao tem buracos nas calcadas e tem muita area com grama, as pessoas desviam de vc, é da hora.

Estava caminhando e lendo e esbarrei em um cara. Minto, tenho quase certeza que ele fez de proposito, levando em conta que havia muiiitom espaco para eles desviar."me descu... nossa, mas vc é muito bonita"

Na teoria, era para eu me animar com o elogio e engatar um papo, um cafe, uma cerveja. E isso aconteceria, se o cara tivesse mais que 3 dentes na boca. Juro por Deus, Tiao Macale teria uma dentura branca e lustrosa perto dos cacos de dentes que o indidividuo tinha.

"Meu nome é Mohammed, vc quer me ensinar alemao?". Resposta: "Nao posso tb, estou aqui para aprender".

Jesus, Ala, seja la quem estiver ai em cima: "É pedir demais que alguem com menos de 50 anos e que tenha dentes me paquere??" Ajuda-me

Meu Yom Kippur

O jogo de futebol de ontem merece ser relatado.
Parece que os turcos, após um mes de persistencia, ontem me perdoaram pelo fato de eu ter nascido mulher.

Cheguei para jogar meio atrasada e tive que esperar, mas isso e meio natural pq normalmente eles me fazem mesmo esperar para jogar. Depois de uns quinze minutos chegou a minha vez e a minha hora.

Entrei e entao percebi que vc so consegue fazer as coisas bem quando vc esta bem. Fiz 8 gols na partida, 5 para o meu time mesmo e tres contras, hjahahahahahaha. Nem acreditava. O time estava bem entrosado, fizemos uma pa de gol de tabelinha.

No meio da partida, chutei uma bola e bateu em um dos turcos, que imediatamente pulou com a mao no saco. Pensei "Ferrou, matei o aparelho reprodutivo de um turco". Corri em direcao a ele e disse "Desculpa, desculpa". Nisso, ele soltou o saco e rachou o bico "Estava brincando (mais rachadas de bico), mas vc assustou, ne?" Porra, poe susto nisso.

Eu sei que no fim do jogo o fofo do Michael, meio que o responsavel pela biboca disse "pq vc nao veio semana passada? a gente sentiu falta da presenca feminina". hahaha, sensacional, e o melhor de tudo e que eu nem vou de decote jogar, acho que eles gostam mesmo de mim!

Sunday, May 29, 2005

Eu, quem diria, cedendo aos encantos da natureza

Excepcionalmente, esse feriado de Corpus Christis nao fui para o Juca, como fui por quatro anos. Isso aconteceu por óbvias questoes geograficas e tb porque eu acho que cresci e consegui encerrar comigo mesma minha época casperiana.

Eu queria sair da Alemanha de qq jeito, pq é lindo e tal, mas chega uma hora que enche ver planície e as casinhas todas iguais, enfileiradinhas, cidade alema é tudo meio parecida. Budapeste, Praga, Viena, quase fui para todooos esses lugares, aproveitando que eu teria 4 dias de folga e que nao tera outro feriado tao proximo. Mas o destino conspira e eu acabei indo para Munique com a Giu, amiga do Didi de Karlsruhe.

Foi muito legal, por varios motivos. O primeiro é que fez um tempo maravilhoso, maravilhoso mesmo. A combinacao céu azul, árvores verdinhas verdinhas e alpes esteve presente em todo o meu feriado. Segundo pq a Giu é uma fofa e a gente se deu super bem. Eu gosto de conhecer as coisas, os museus, mas tudo em um ritmo decente. Nao fico correndo para dar tempo de fazer tuuudo em dois dias. Sou da teoria de mais qualidade e menos quantidade. E se tem uma coisa que eu gosto de fazer é sentar nos cafes e ficar olhando o povo passar. E parece que a Giu é dessa pegada tb. Na verdade, a Giu é bem parecida com a Bob e com a Le. Meio fresca, meio princesinha, mas chegada no bafao.

Munique é bem bonito e nao é uma cidade tipicamente alema. As casas sao menos escuras e seguindo a tradicao da Bavieria, muitas tem pinturas de lendas alemas nas paredes da frente de casa. Embora seja uma das maiores cidades da Alemanha, nao tem a correria da cidade grande.
Ficamos em Munique quinta e sexta. Ah, essa vale a pena ser contada.

A Giu e o Didi tem fixacao pelo Ludwig II, o rei louco da Baviera. Eles ficamq uerendo saber a vida do homem, compram livros, tiveram uma experiencia transcedental no castelo em que ele nasceu, enfim, dois insanos. Entramos em uma igreja em Munique e a Giu foi na frente. A Saint Michael era uma igreja bem bonita e tal, mas nada de mais para os padroes da Alemanha. Dai a Giu sentou em um dos bancos da frente e eu sentei uns dis bancos atras e como nao sao das mais afeitas a religiao, comecei a ler o Guia de Munique. De repente eu leio " Na Igreja Saint Michael construida com abobodas xy em estilo wz...Nessa igreja esta enterrado o rei Ludwig II".

Quando eu li aquilo, fiquei branca. O Didi estava procurando o lugar que ele tinha sido enterrado ha tempos e ele estava pensando em ir para um lago la so pq pensva que o ludwig II estava la. Quando eu chamei a Giu e ela virou para tras, ela estava chorando muito, toda vermelha. Contei para ela, ela ficou sem reacao, me pucou imediatamente para a gente procurar o Ludwig II. A cripta estava fechada, achamos apenas no dia seguinte.

Na noite de sexta feira fomos para Füssen, e os Alpes dessa vez ficaram bem mais perto. Fomos para Füssen para visitar o Neuschwanstein, o castelo que o Ludwig II construiu e que inspirou o Walr Disney a bolar o castelo da Cinderela. Encontramos o Didi e a mae dele, que estavam de carro e fomos todos para o castelo. O sol brilhando, refletindo nos lagos clarinhooos e gelados, em funcao do degelo das montanhas. Nao teve jeito, ate eu, a urbanoide, tive que ceder a beleza das paisagens. Pegamos varias trilhas e depois de andar umas 3 horas chegamos no castelo. Posso ter sido contagiada pelo Didi e pela Giu, mas a historia do Ludwig II é realmente impresionante. Segue um breve resumo para vcs.

Ele era um monarca, super culto. Amigo intimo e mecenas do Wagner (nao o da firma, o compositor), dizem as mas linguas que os dois tiveram ate um caso, ja que o Neuschwanstein foi contruido em homenagem ao musico. Quando a Baviera deixou de ser regida pelo monarquismo absoluto e passou a ser parlamentarista, parece que o homem enloqueceu de vez. Ele ja nao era muito bom da bola antes e tinha varios casos na familia de esquizofrenia e tal. Mas depois de perder o poder ele ficou malucao. O Neuschwanstein foi um belo exemplo dessa maluquice. Ele foi erguido sobre uma rocha, na beira de uma abismo. Se vc olha pelas janelas do castelo, so ve abismo. O castelo levou mais de 20 anos para ser construido e o Ludwig II morreu sem chegar a morar no castelo. O gasto para construir o Neuschwanstein era tao grande, que apos a morte do rei as obras pararam e o castelo foi aberto para visitacao, o que era a coisa que o Ludwig mais temia, ver o povo pisando no solo sagrado do seu castelo. Agora olha so o jeito que o maluco morreu: o medico dele ia contar para ele que ele era louco e os doisa sairam para dar uma volta no lago Stanberg. Nao se sabe o que aconteceu, mas os dois foram achados mortos e boiando no lago no dia seguinte. Arrepiou? Eu tb.

Saimos do castelo e fomos para a Austria, em direcao aos alpes. Dessa vez, eu estava entre os alpes. Ja sem muita neve, so as montanhas mais altas com neve no topo, as mais baixas com as arvores verdinhas, verdinhas. Imagine-se em um comercial da Nestle, daquele chocolate Milka, lembra, que tinha um fazendeiro que falava sobre as vacas dos alpes? É igualzinho o do comercial, com direito a cabaninha rustica de madeira, e claro, as vaquinhas tb. Foi um espetaculo para os olhos. E impossivel nao ficar admirando a grandeza daquilo ali. E grande demais. E como so escurece tarde, as 22h, a gente, os quatro, ate a Maria Amelia (mae do Didi) que ja morou na Alemanha, ate o Didi, que ja esta aqui ha quatro anos, ate a Giu, que ja tinha ido nos Alpes e eu, imagine eu, todo mundo ficou pirando nos alpes, olhando cada um para a sua respectiva montanha (tinha tanta que dava para escolher), quieto e pensando. A gente ficou assim acho que uma meia hora.

A Giu falou que a primeira vez que viu os Alpes viu Deus. Eu, se tivesse fé, acho que tb o teria visto. Na minha condicao de descrente, vi as montanhas mesmo. E minha ainda mais infinta insignificancia.

Wednesday, May 25, 2005

Novas pérolas

O formato desse post é uma cópia descarada daqui e daqui. Copio mesmo, mas dou o crédito.
Nos últimos tempos, o assunto preferido da Andrea, minha mae alema, é sexo. Com essa história de namorado novo, os hormonios dela estao uma loucura. Seguem dois trechos de algumas das nossas conversas.

1)
"Lorena: E quem me ligou no meu aniversario?
Andrea: A Lirrriia (ela as vezes confunde portugues com espanhol) e o Aschhhtoaaa. Quem é Ashtoaa?
Lorena: É meu melhor amigo. Ele foi meu meu vizinho e agora tá na Austrália.
Andrea: Vcs tiveram algum tipo de relacionamento? (ela quis dizer sexo)
Lorena: Nao, ele e meu irmao
Andrea: Ah, entendi, ele é homossexual."

Hahahaha, tadinho do Perna. Mas como vcs podem observar, ela demonstra grande sensibilidade quando o assunto é amizade homem-mulher.

2) Ela estava me contando sobre a vida sexual das amigas delas.
"E daí, ela tinha um namorado que tinha coíiiito interrompido.
Lorena (compreensiva): Ás vezes é só uma fase...
Andrea: Tres anos? Para mim, um homem com coíiito interrompido nao vale nada."

Essa mulher deve ser um furacao...

Monday, May 23, 2005

Meu aniversario - catando os copos de plastico atras do sofa

Acordei no domingo com duas bolhas enormes no pe, consequencia da andanca de sabado. Sai fora bem cedo porque queria assistir a missa na Berliner Dom. Calma, calma, ainda nao to me convertendo. Mas e que la dentro tem um órgao gigante que eu queria ver em funcionamento. E alem disso, na missa a gente nao paga nada para entrar e fora desse horario a visita custa nada mais nada menos que 3 Euros. Aqui nego, eu nao peguei nem resfriado, só porque resfriado é de graca.

A Berliner Dom é uma catedral protestante e dentro dela tem escultura de todo mundo que ajudou a propagar o protestantismo. Meu, eu sentei de frente para o Calvino e eu queria entender porque eles esculpiram Calvino com aquela cara de mau. Nossa, se a escultura é louvatória, eu nao entendo, ele ta com a cara do Gargamel, tentei nem olhar muito para ele durante a missa. Mas dai, se eu desviava o olhar, caia no Lutero, que e feio que dói. E se eu olhava para cima tinha uma pomba gigante no meio do teto, representando o tal do Espírito Santo. E eu ODEIO pomba. A missa foi uma parte tensa do meu dia.

Depois, o que economizei na Berliner Dom tive que dar, em dobro, na FernsehTurm, meu, 7,50Euros só para subir de elevador e ver a vista, é mole? Mas eu tinha que ver, de qualquer jeito, pq alem de ser um dos pontos mais altos da Europa (acho que só perde para um edificio em Praga), dava para ver Berlin inteiriiinhaaa la de cima. Vai, vamo ae, vai, é só uma vez na vida. Manas, quando vcs vierem para ca, vcs sobem sozinhas, ok? Mas foi bem legal, deu para ver tooodooo o trajeto do muro, toooodos os pontos turisticos que eu tinha visitado no dia anterior.

Ja estava chegando a hora de partir, minha carona estava combinada para as 18h30 e eram umas 16h30, eu tinha que descobrir onde era o lugar e tal. Descobri que era no bairro que eu quero morar e fui para la mais cedo, para dar um role.

Esatav fazendo um solzinho bem gostoso e eu sentei na HermannPlatz, em Kreuzberg mesmo, para esperar minha hora. Dai chegou um turco e sentou do meu lado. Um velhao. A conversa vale a pena ser reproduzida. Segue abaixo:

Turco: Hallo.
Lorena: Guten tag.
Turco: O que vc faz aqui?
Lorena: Eu nao falo alemao.
Turco: Mas vc tem uma boa pronuncia para nao falar alemao.
(Burra, deveria ter falado apenas "Nao alemao, e nao a frase inteira conjugada certa. E tb estava com uma Focus na mao)
Turco: Vc le em alemao?
Lorena: Nao, só vejo as figuras.
Turco: A gente poderia tomar um cafe.
Lorena: Nao, obrigada.
Turco: Uma cerveja?
Lorena: Nao, obrigada
Turco: Um cha?
Lorena: Nao, obrigada.
Turco: Vc tem olhos bonitos.
Lorena: danke.
(eu comecei a entrar em um impasse pq eu queria muito ficar onde eu estava, era uma pracinha muito gostosa, em que o sol estava batendo e muito perto de onde minha carona me pegaria, mas o turco estava enchendo meu saco e por mais que eu NAO desse sinais de receptividade, ele nao parecia querer para de me apurrinhar tao cedo)
Turco: Mas o que vc faz aqui, afinal?
Lorena, já de saco cheio e comecando a abrir mao da teoria do sorriso: To esperando meu namorado. (odeio essas desculpinhas, mas talvez funcionasse. Reles ilusao)
Turco, a esperanca e a ultima que morre, mesmo: Entao, vc sozinha, eu sozinha, a gente poderia tomar um cafe.
Lorena, abdicando da teoria do sorriso e fazendo cara feia, na esperanca (a ultima que morre) do turco sair fora: NAO, estou esperando meu namorado.
Turco: Posso ler a sua revista?
Lorena:Na ja. (tá bom, vai)
Passam-se 10 minutos. O turco fez diversos comentarios em gracas e machistas sobre as mulheres na revista e ainda estava na pag 30.
Lorena: desculpe-me, mas o senhor pode me devolver minha revista? Eu tenho que ir embora.
Turco: Tudo bem, me da um beijo?
Lorena: QUE?
Turco: Na bochecha.
Lorena dá, pega suas duas mochilas, garrafa de água e a revista e sai fora.
Um bonitao que e bom nao senta do meu lado, so o turcao idoso.

Meu aniversario - Apagando as velinhas

Tudo bem, nao sao muitas, mas ate agora, das cidades alemas que eu conheci, Berlin é a única em que eu moraria. Moraria minha vida inteira. Já escolhi até o bairro que eu moraria em Berlin, até a rua em que eu moraria em Berlin, alles.

Berlin tem todas as vantagens de Sao Paulo e nao tem as desvantagens. É uma cidade grande, com muita opcao de cultura e lazer, mas nao e cinza que nem Sampa. Tem muito verde, nao e tao poluido, tem meios de transportes eficientes.

As primeiras paradas foram puramente turisticas: Brandenburg Tor, Reichstag, Große Stern. Dai comprei um mapa de Berlin. Alias, esse e o meu conselho para todo mundo que for para uma cidade e nao quiser cair no esquema turista panaca. Meu, compra um mapa que sua vida vai melhorar. Comecei a fazer tudo de metro e S-Bahn. Postadmer Platz, Alexander Platz... Fui almocar em um quarteirao chamado NikolaisViertel. Esse quarteirao foi destruido na guerra e depois, em sua reconstrucao, foi feita uma tentativa de reproduzir uma cidade feudal. FIca na margem do Spree, o rio que corta Berlin, uma gracinha.

Mas o diabo do muro eu ainda nao tinha visto. Andava por Berlin procurando marcas no chao, vestigios do que poderia ter sido o muro e nao tinha achado necas ate entao. Estava almocando e duas meninas pepdiram para sentar comigo (isso e bem norma aqui). Dai eu perguntei se elas sabiam onde eu poderia encontrar vestigios do muro. Elas me disseram que no oriente tinha um pedaco de mais ou menos 1200 metros do muro original conservado, a East Side Gallery. Corri para la, era no Leste.

Minha brincadeira favorita aqui na Alemanha é andar na estrada e ficar tentando adivinhar o que era Oriente e o que era Ocidente. Na verdade, e bem facil distinguir. Os nomes das cidades, em sua maioria, se entregam e as construcoes russas sao bem especificas. Mas foi legal fazer isso em Berlin, que as vezes uma rua separa Ocidente e Oriente. To ficando boa nesse jogo.

Meu, o muro e realmente impressionante. Impressionante. Mas o mais engracado é que eles VENDEM pedacos do muro. Ou seja, o que antes era um dos simbolos maximos do comunismo, é vendido. Hahahaha, so rindo, mesmo.

Dai comecei a andar pela regiao e vcs nao acreditam o que eu achei, muito muito, muito sem querer: O BAIRRO DOS INDIES EM BERLIN. Hahahahahah. É o Kreuzberg, que antes era um bairro só de turco e hoje concentra um monte de galeria de artes, teatros, brechos e restaurantes turcos. Fique la maior cara, tomando uma coca, tomando um sol, tomando coragem para dar o role que eu ainda estava pensando em dar. Na medida do possivel (sempre respeitando a distancis culturas e geografica), lembra Copacabana. Olha so um pedacinho dele.

Sai de la, fui para o CheckPoint Charlie, que era a base dos aliados no ocidente. Ali tem um outro pedacinho do muro, mas pintado de branco e uma reproducao de um cemiterio dos milhares de nas tentativas de atravessar o muro. MauerTote (Muro dos Mortos), é que como se chama. Nossa, muito impressionante também, sao os dizeres das plaquinhas. Era tipo assim "Hans Müller. 1919 - 1956. Morto em tentativa de pular o muro", "Maria Siegfried - 1923 - 1978 - morta em tentativa de atravessar o mar Báltico".

Estava comecando a escurecer, era umas 22h. Corri para o centro para ver de novo o Brandenburg Tor, dessa vez de noite. Tinha bem menos turistas do que de dia, mas ainda assim a Pariser Platz estava cheia. Sentei na calcada e fiquei olhando o Brandenburg Tor, nem sei quanto tempo.

Ainda bem que eu vim passar meu aniversario em Berlin.

Meu aniversario - Fritando as coxinhas

Primeiramente, quero agradecer aos telefonemas (ou suas tentativas, to louca para ouvir sua tentativa, Preta, hahahahahahaha), scraps, emails, sinais de fumaca, criptogramas... enfim, todos que deram um alo nesse dia. Nao sei nem por onde comecar...

Bom, fui para Berlin de Mitfahrengelegenheit, ou seja, a boa e velha carona. Minha mae ja ficou deseprada, achou que eu ia por uma saia e erguer o dedao no meio da estrada. hahahah. É um site em que uma galera oferece carona e outras pedem carona e dai as pessoas se encontram. Nao e lindo? Tem carona para todo lugar, dentro e fora da Alemanha. Dai cheguei em Berlim, sexta, 23h, o cara me deixou em um ponto de metro. Só que a linha metroviária de Berlin é acho que o dobro de Sao Paulo, pq alem do Metro (U-Bahn) tem o S-Bahn, o StraßenBahn e o onibus. Gelei, mas fiz umas perguntas e consegui chegar onde queria. A casa onde eu fiquei dessa vez, de novo naquele esquema de Hospitality Club, foi do lado do Olympia Stadium, e vcs sabem o que é o Olympia Stadium?? O ESTADIO ONDE O BRASIL VAI JOGAR A FINAL DA COPA DO MUNDO. Meu, e muito muito muito legal esse estadio.

Dai cheguei na casa da mulher. Dessa vez, eu nao ia ficar come studantes, ia ficar com uma familia mesmo. A mulher se chama Birgit e eu tenho a impressao de que ela e meio pancada da cabeca. TUDO o que eu falava ela. E nao e porque eu sou engracada, tudo mesmo. Tipo "Guten Abend!", dai ela "hahahahah, Guten Abend". Mas gente boa. Tirou a filha mais velha do quarto dela para eu dormir, pode? aiaiaia, depois dizem que alemaes nao sao gentis. Sempre reforcando que eu nao estava pagando um centavo.

A Birgit mora em um bairro um pouco afastado do centro de Berlin, chama Charlottensburg. É bem tranquilo, lembra o interior. Dai sentei na sala para tricar ideia com ela e com o marido. O marido era daqueles era-roqueiro-no-passado-hoje-engordei-uns-quilinhos. Brinco na orelha, Nightwish na vitrola e a balada rolando para eles. Ela trabalho para o governo, no Ministerio do Meio Ambiente e ele e professor de informatica para adultos. Só gente louca nessa Bundes.

Dai eu reparei que aquele apartamento tinha uma estrutura de comparttimentos diferentes, tipo, o quarto de casal dava para a sala. E comentei. Dai a Birgit me contou que aquele apartamento durante a guerra tinha servido de dormitorio para os soldados americanos. É, a gente estava em West Berlin e aquele era apenas o primeiros vestigio de guerra que eu encontraria.

A Birgit contou que era de Ost Berlin, ou seja, Berlin oriental. Acho que eu nao consegui disfarcar minha surpresa em encontrar a primeira especie do Oriente e perguntei "Como e que era?". Ela contou que como todas as coisas tinham vantagens e desvantagens. No Leste, eles nao tinham preocupacao nenhuma com a educacao das criancas, todo mundo tinha trabalho e a vida era mais barata. Ao mesmo tempo, eles nao tinham liberdade para fazer nada.

Fui dormir, muito querendo conhecer Berlin.

Friday, May 20, 2005

Here comes the sun

GÊMEOS (21 mai. a 20 jun.)
A grande maioria dos geminianos pode respirar mais à vontade com o Sol entrando em seu signo, dispersando assim as névoas pesadas que os lançaram para o limbo. Vênus em Gêmeos é dispensadora de bênçãos também. Diplomacia, leveza e rapidez são ingredientes para iniciar a virada.

É o fim do meu inferno astral! Demorou.
Ele me custou só 3 QUILOS a mais. Pura salsicha e batata. Mas até que foi pouco, estava conversando com a turca do meu curso de alemao, ela me contou que engordou 10 QUILOS quando mudou para cá.
Por via das dúvidas, corri para o mercado e comprei um pé de alface.
Ai vida. Mas acho que fez parte, experimentei todos os sabores de sorvete que eu queria, todas as opcoes de salsichas possiveis, todos os 200 chocolates disponiveis na prateleira.
Mas agora ja deu, agora é só na bike e na alface.

Thursday, May 19, 2005

Hostess, eu?

Juntamos uns brasileiros e vamos organizar a festa brasileira em Darmstadt. Já é tradicional aqui, a galera adora e os alemaes ficam MUITO loucos de caiprinha, toda a festa. Cheguei na reuniao, o cartaz da festa ja tava pronto. dai o Ramon, um brasileiro muito engracado que ta junto na organizacao da festa girou o lap top e me perguntou "vc como jornalista, o que acha?". Minha primeira reacao foi rir. Era um cartaz super bem feito, bem feito mesmo, mas com a GLOBELEZA como chamariz. hahaha, nao teve como, eu ri.Mas ficou bom e parece que vai ser esse mesmo o cartaz. Depois vai ter um site, eu mando para vcs.

Lorena de Berlin

Amigos, amigas
Ja agradecendo aos futuros telefonemas que receberei no meu aniversario (rs), adianto que nao estarei em casa. Vou passar meu aniversario em Berlin. Podem mandar emails, scraps, isso eu agredeco.

Wednesday, May 18, 2005

Pan Namoro

Dia 22 vai fazer dois meses que estou aqui. Passou rápido, muito rápido. E agora estou em uma fase que meus olhos ja estao se acostumando com a realidade alema, as coisas nao me chamam mais tanta atencao como antes, o que e uma pena. E como um namoro, e eu e a Alemanha estamos chegando na fase da estabilidade, em que uma nao oferece mais tantas surpresas para a outra. Dai comeco a ver a importancia de estar sempre apaixonado, por tudo.

Eu li uma vez, acho que no Mais!, nao me lembro onde, uma gringa artista plastica que decidiu morar no centro de Sao Paulo por um tempo. Ela dizia que Sao Paulo era uma cidade unica no planeta, em que o novo e o velho estavam sempre em transformacao e convivencia simultaneamente, nao necessariamente em harmonia, mas de um jeito belo. As outras cidades da Europa (e isso estou vendo bastante aqui) nao tem essa flexibilidade de mudanca, pq muita coisa e tombada como patrimonio historico e tal.

Eu lembro que quando li, pensei "caramba, como pode uma gringa exprimir o que eu paulistana sinto e pior, nunca tinha pensado sobre isso?". Esse olhar externo, de novidade, é uma preciosidade e eu nao queria perder isso, mas depois de um tempo, esse movimento passa a nao ser tao natural.

A mesma coisa aconteceu comigo e com a Andrea, eu lembro que eu fiz um comentario sobre a diferenca da relacao com comida entre alemaes e franceses. A culinaria alema e muito pratica, nada demora mais que meia hora para ser feito. Se os alemaes vao a um restaurante e nao tem lugar, normalmente eles nao esperam, eles procuram outro. Eles comem muito rapido. E por exemplo, a refeicao equilibrada tem que ter proteina, carboidrato e fibra. Dai eles almocam: uma salsicha, pao e uma cenoura, sem muito misterio.

Os franceses nao. Eles gastam muitooo tempo nos jantares, ficam a mesa, conversam. Se nao tem lugar vago em um restaurante, eles esperam e tomam um aperitivo de anis (horrivel) enquanto isso. Dai eu comentei isso com a Andrea, sobre essa diferenca. E ela "Nossa, eu nunca tinha pensado nisso".

Mas como e dificil manter esse olhar apaixonado pelas coisas. talvez, o unico modo seja continuar conhecendo outras coisas, para que a comparacao sempre valide um e o outro. E a mesma coisa com namoro, vc passa a dar muito mais valor para a pessoa que esta do seu lado se vc nao para de conhecer outras e percebe como a que esta do seu lado e especial em comparacao a todo o resto do mundo. Estar com alguem, ou em algum lugar por pura opcao, nao pela falta delas.
Ai, maldito existencialismo.

Burgfest, ou seja, a festa no Burgo

Domingo a noite, estava em Karlsruhe. Fomos eu, Didi, Giu, Cleber, Ruban (um frances amigo deles) e uns outros franceses na Burgfest, uma festa promovida por uma cerveja produzida na cidade. Nessas festas o esquema e assim: rolam galpoes com bandas, mesas cumpriiiidas e bancos cumprrrrriiidos par todo mundo sentar e acompanhar o show. Só que com o passar das mass (caneca de breja de UM LITRO) a galera vai ficando bem louca e subindo nos bancos e cantando. Em Stuttgart, na Frühlingsfest, era o mesmo esquema e na Oktoberfest falaram que é o mesmo esquema tb. É muito da hora!

Dessa vez a gente escolheu um galpao que estava tocando música italiana, e o melhor: tinha uma mesa de italianos no galpao. Nossa, me mijei de rir. Incentivados pela teoria da causa da minha mana Layla, resolvemos causar no galpao. Eu e o Didi chamamos uma mulher alema (vinda diretamente do tunel do tempo, a mulher estacionou nos anos 80: botas brancas de cano longo, batom pink, cabelo palha esvoacante e muita sombra azul) para dancar, a mulher ate me beijou e me abracou, tiramos foto com ela. Tinha a Gisela, que foi uma outra que a gente conheceu e pos em cima do banco para dancar. Hahaha, prceisa ver a felicidade das coroas com a gente.

A banda era boa, mas os componentes eram toscos ate a unha do pe. Eles tocavam uma musica e fingiam que iam acabar com o show. Dai toda a galera, bebadaaa..."Zugabe, zugabe " (bis, em alemao). Dai eles "Ta bom, ta bom... a gente toca mais DUAS" hahahaahah, me rachei.

Primavera em Baden-Baden

A obra de Leonid Tsípkin faz jus a cidade. Baden-Baden foi considerada pelo imperador romano Caracalla uma cidade de descanso, por causa de suas quentes aguas medicinais. E é isso que ela e hoje, uma Pousada do Rio Quente, para ricos, claro. (duas horas por 12 euros). A cidade e muito fofa e chique: varios cafes, restaurantes, lojas de grife... É do lado de Karlsruhe, onde mora o Didi, entao fomos Didi, Cleber e Giu (amigos do Didi) e eu. O tempo tava uma m. A gente decidiu ir nas termas, que por acaso chama-se Caracalla Therme, em homenagem ao tal imperador.

O bagulho e chique, entra ae no site para dar uma olhada, galera. Estilo neo-classico, que chega ate a ser brega. Tipo, a sauna é meia luz, iluminada com uns holofotes roxos, umas estátuas de Afrodite e tocando Enya ao fundo hahahahahaha. Nao podia conversar na sauna, pq o objetivo era RELAXAR, mas tinha uma mina que certeza que tava tendo um orgasmo na sauna, pq ela gemia e virava a cabeca d eum lado e de outro. Dai eu e o Didi tivemos que sair da sauna para rir.

Tinha tambem o "Caldeirao da Pelanca", que era uma jacuzzi onde so tinha velho. Mas o que foi mais legal e que como estava meio frio e a água da piscina e bem quente, na parte que era aberta, ficava toda esfumacada, por causa da diferenca de temperatura. Le, tinha uma piscina de correnteza, tipo igual aquela do Beach Park que eu te afoguei, lembra? (rs)

Mas a parte mais engracada foi a da sauna pelada. No andar de cima era uma sauna pelada. Para que, quisemos ir, mas fomos de toalha. Nao que eu tenha algum problema com nudez, mas ficar pelada na frente de uma pessoa que vc nao vai transar e ver ela no dia seguinte e meio constrangedor. Se o Didi e o Cleber nao estivessem la, se tivesse so eu e a Giu era sussa. Mas fomos pelados, so que com a toalha por cima. Dai chegamos la na sauna, DEU VERGONHA DE ESTAR DE TOALHA, porque tava todo mundo pelado. hahahaahaha, Haja sangue frio! dai resolvemos ir para a sauna vestida, mesmo.

Mas quero voltar para Baden-Baden com sol. E tb para ir no cassino!

Thursday, May 12, 2005

Extraido de Joao Pereira Coutinho, na Folha:

A obra de Oliver Hirschbiegel (A Queda, filme sobre o Hitler), tolerável e com meios de produção próximos de Hollywood (apesar de defeitos na coreografia e na montagem), provocou discussões mil na Europa. Motivos? Um só: Hitler, o demente Hitler, aparece "humanizado" por ator suíço, Bruno Ganz, que captou tiques e sotaque do velho ditador na perfeição. O filme se inspira nas memórias da secretária de Hitler (coisa fraca, que li com fastio) e no trabalho de Joachim Fest, "Inside Hitler's Bunker". Wim Wenders, que há vários anos não acerta um único filme (desde, pelo menos, "Paris,Texas", 1984) criticou a obra. É impossível saber quem são os maus, disse Wim. Tudo demasiado neutral, com Hitler comendo à mesa (com faca e garfo) e beijando Eva Braun (um tesão de atriz e, consta, um tesão de mulher). Na cabeça infantil de Wim Wenders, seria necessário que Hitler aparecesse chifrudo e espumando raiva. De preferência, no meio de labaredas infernais.

Esse texto do Joao Pereira sintetizou grande parte da minha indignacao em relacao as criticas que os jornais brasileiros estao fazendo sobre esse filme. Meu, que saco, pq as pessoas nao conseguem conviver com a dicotomia? Acho que deve ser muito dificil para a mente humana conceber que em um so ser pode estar a mais perversa maldade e ao mesmo tempo a mais sublime bondade. Nao que esse seja o caso do Hitler, nem vi o filme (ja saiu de cartaz aqui), por isso nao posso opinar. (infelizmente).

Mas comentarios maniqueistas como o do Wim Wenders so corroboram com a solidificacao de um estereotipo que nao e o do verdadeiro alemao. Galera, sem nenhum vestigio de vira-casaca, tentando ser o mais imparcial possivel: de uma vez por todas, eles nao defendem o Hitler!!

Logico, existem os neo nazistas. Mas a posicao da esmagadora maioria e CONTRA esse cidadao e CONTRA qualquer tipo de preconceito. Eu ja contei um monte de fatos sobre isso, mas sempre restam outros mais.

Ontem mesmo eu estava vendo um documentario na Tv e o entrevistado em questao era o cara que fez a biografia do Hitler . Achei ate que eles pegaram pesado. A gente sempre ouve falar "milhoes de judeus morreram de fome", mas eu nunca tinha VISTO um judeu morrer de fome. pois vi ontem, nesse documentario. Um velhinho, so pele e osso jogado no meio da rua com a estrela de davi no braco. Mais uma vez: nao tem TABU, sobre esse assunto, eles mostram mesmo.

A nova geracao parece que e ainda menos preconceituosa. A Anna e a Sarah falam sobre homossexualidade numa boa. Um dos filmes de maior sucesso aqui na Alemanha, der Schuh des Manitu, tem um personagem gay. Outro dia, peguei a Sarah dando uma puta bronca na Andrea porque ela estava falando mal dos alemaes do leste.

Nao e questao de defender, eu mesma acreditava em uma outra postura deles em relacao ao assunto guerra e Hitler. Mas nao e bem assim, nao mesmo.

Nao perca! Entrevista exclusiva com D. Amelinha!

Como vc, leitores, sabem, a reporter que prefere nao se identificar migrou para a Alemanha ha aproximadamente dois meses. Objetivo? Passar um ano como Au Pair, eufemismo para baba requintada ou empregada de luxo, como preferirem. Pura experiencia antropologica, claro. Na Bundesrepublik, ganhou o apelido de D. Amelinha, pelas inumeras funcoes que executa durante o dia. D. Amelinha resolveu dar uma entrevista EXCLUSIVA para este blog. Grande D. Amelinha!

Reporter: D. Amelinha, em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer a essa excecao que a senhora esta abrindo para a gente. Sabemos como a senhora e avessa a entrevistas...

D. Amelinha: Realmente meu lugar e nos bastidores (rs, D. Amelinha fica corada). Mas acho que e importante mandar essa mensagem para as donas de casa do Brasil, contar das dificuldades que elas passam e do merito em ser do lar.

Reporter: E isso ae, D. Amelinha. Bom, a primeira pergunta e um pouco obvia: como foi essa mudanca drastica para vc? Antes so na frente de um computador o dia todo e do dia para a noite ter que cuidar de toda uma casa?

D. Amelinha: (lagrimas nas palpebras) Foi muito doloroso. (pausa, ela pega um lenco)
Reporter: Eu consigo imaginar, D. Amelinha, a senhora se sentiu humilhada e ...
D. Amelinha: Nao, nao, e porque eu me machucava mesmo. Minha perna ficou cheia de roxo pq o rodo caia sempre em cima de mim. tenho uma cicatriz de queimadura porque esbarrei no ferro de passar e meus dedos perderam a sensibilidade de tanto encostar na panela quente.

Reporter (confuso) : Entendo, entendo, D. Amelinha. E quando e porque a senhora ganhou esse apelido?

D. Amelinha: Na verdade, o apelido inteiro e Amelinha Forno e Fogao. sabe, moco, me afeicoei aos trabalhos domesticos, eu mesma me dei esse apelido. Quando as criancas pedem alguma coisa "pode deixar que a Amelinha Forno e Fogao resolve para vcs". Acho que e um jeito de homenagear a essa classe tao esquecida e subestimada.

Reporter: Qual foi a maior licao que vc tirou dessa experiencia, D. Amelinha?
D. Amelinha: Huuummm eu acho que moral maxima de ser uma donde casa e "nao tem que ESTAR limpo, basta PARECER limpo". e, com certeza foi o que eu aprendi aqui.

Reporter: A senhora esta enganjada em algum movimento em prol das donas de casa?
D. Amelinha: Sim, sim. Estamos lutando para que as donas de casa miopes tenham direito a lentes de contato. E praticamente impossivel verificar a condicao do assado de oculos, o vapor do forno embassa as lentes. E tambem ja arrecadamos 200 luvas de plastico, para que toda a dona de casa tenha direito a fazer a limpeza sem estragar o trabalho da manicure e ter que esbarrar naquelas peruquinhas de cabelo que juntam no fundo do ralo.

Reporter: Ta certo, D. Amelinha!
D. Amelinha: Posso mandar um beijo? Queria dizer que toda a minha inspiracao em lutar por esse movimento foi por causa da nossa rainha, a Ana Maria Braga. Musa inspiradora das milhares de amelias pelo Brasil! E tb queria mandar um beijo para a Palmirinha, minha colega que ta me substituindo como reporter!

Reporter: Obrigada, D. Amelinha.

Wednesday, May 11, 2005

Problemas? frustracoes? Adiciona o vives no seu messenger que passa

Vives matou a charada da minha vida. Segue um trecho da nossa conversa por messenger.
Vives: E como e que ta o alemao?
Lorena: Nossa, Fe, sabe quando vc se apaixona e tudo te lembra a pessoa? Eu to assim com a lingua alema. Eu to lendo um livro "ai, que bonitinhoooo, um dativo". Ou to passando na rua e vejo um anuncio "ai, que fofo, um imperativo...".
Vives: Ihhh, se apaixonar pela lingua alema e que nem ser mulher de malandro: gosta de apanhar.

Obrigada, Fe, vc me reconforta.

Monday, May 09, 2005

Dresden - parte 4 - Recolhendo os destrocos

No dia seguinte visitei ainda mais alguns predios e um museu em Dresden. Olha, valeu a pena cada minuto das 18 horas que eu gastei para chegar la. De qq modo, acho que vou comprar o BahnKarte, que custa 100 euros, mas pelo menos eu chego la em duas horas. Hoje estou acabada, um caco, mas valeu a pena.

Dresden - parte 3 - a uniao

Como eu ja havia dito em um post anterior, resolvi testar os servicos do Hospitality Club. Combinei de dormir na casa de uns estudantes em Dresden. Obvio, estava com medo e meio constrangida, eu ia dormir na casa de pessoas que eu nem conhecia. Mas fui la. Meu, foi muito, muito muito legal. Moravam dois caras e uma mina no ape, os dois caras muito legais. Chamaram mais uns amigos, no final era um jantar para umas 7 pessoas, todos universitarios, a gente ficou trocando ideia e bebendo vinho ate umas 2 da manha. Nao me deixaram pagar nada pelo jantar (mas eu levei a sobremesa...), gentis, educados, interessados... Eles me contaram que embora a uniao esteja oficializada no papel, ainda tem muito preconceito entre orientais e ocidentais. os orientais tem meio que "complexo de inferioridade", pq os ocidentais ganham mais e tal, segundo eles.

Certeza que eu vou convencer as minhas irmas fofas a fazerem o mesmo quando eu voltar. Vc conhece gente legal e ajuda às pessoas. Melhor impossivel.

Dresden - parte 2 - A luta

Cheguei em Dresden. Um tempo horroroso, nublado, meio chovendo, vento... Comecei a andar pela cidade. Dresden e linda, linda, linda, linda, linda. Ganhou o posto de uma das minhas cidades preferidas. Linda. E uma das cidades que concentra o maior numero de construcoes barrocas na Alemanha. Foi engracado olhar para tudo aquilo e pensar que tudo aquilo é reconstruido. Para quem nao sabe, Dresden foi uma das cidades que mais sofreu com os bombradeios na segunda Guerra, praticamente toda a cidade foi destruida. tudo aquilo que estava ali perante aos meus olhos ja foi ruina. Eles ainda estao reconstruindo muito coisa, como por exemplo, a Frauenkirche (traduzindo literalmente, "igreja das mulheres"). E a presenca do destruido, do reconstruindo e do resconstruido da uma energia muito diferente para a cidade.

Dresden foi um marco, para mim, por varios motivos. Primeiro que foi minha viagem SOZINHA, sozinha mesmo. Nossa, como e diferente. tem os contras, como por exemplo, vc nao trocar impressoes. Mas por outro lado, vc curte uma viagem SUA. Vc fica o tempo que vc quer em cada lugar e nao precisa se preocupar com o proximo. Teve uma hora em que eu estava procurando um telefone para ligar para minha mae avisar que eu estava viva, quando fui parar no patio do Schloss. Nesse patio, tinha o ResidenzSchloss a minha frente, a Kathedrale do outro lado e o Rio Elbe na minha frente. e tinha uns musicos de Petersburg tocando sax. Desisti por hora de telefonar, sentei no patio, comprei um sorvete e acho que fiquei ali mais de uma hora. E pela primeira vez, eu chorei por pura emocao, so pq uma coisa era muito bonita. Todas as outras vezes que eu ja chorei foram por frustracoes. Chorei ser pensar em nada, sem pensar em ninguem. Chorei porque era muito bonito.

O mais legal de viajar e descobrir as coisas da cidade por meio dos proprios habitantes da mesma. Logico, e legal dar uma pesquisada antes para nao boiar, mas tb deixar a cidade te levar. Eu estava passeando no Brühlische Terrasse e tinha um velhinho sentado no banco, olhando pro Elbe. dai eu perguntei alguma coisa sobre uma construcao e o velho, que estava comendo bolacha, respondeu a minha pergunta e ao mesmo tempo cuspiu toda a bolacha que ele tinha na boca no meu casaco. (a maioria dos alemaes falam de boca cheia). Eu tava tentando, disfarcadamente me limpar, ao mesmo tempo que conversava com ele. Ele desembestou a falar da cidade, sensacional, podia so nao cuspir bolacha em mim. dai ele "vem ca, vou te levar para conhecer". Nisso, me pegou pelo braco e me mostrou varios predios, contou historias e tal. As informacoes podem nao ser tao precisas, mas eu ganhei uma coisa muito melhor, que foi, no meio da conversa, os pitacos do velho. "Ali e a Casa de Opera, mundialmente conhecida pela acustica. No tempo do socialismo, nao vinham cantores conhecidos, mas a entrada mais cara custava 18 marcos alemaes. Hoje, com o capitalismo, a mais barata custa 60 euros". ou ainda "vc faz o que, menina?" "sou jornalista, mas talvez eu vire professora de alemao". "bem melhor mesmo", ele respondeu. hahahah, da-lhe terceira idade.

eu sei que ele foi me levando, me levando e acabei indo parar na missa da Catedral. Nao dava para sair fora, ele contava comigo na missa. A homilia falava sobre, de novo, o fim da guerra, a missao de paz no mundo, como foi dificil reconstruir dresden... acreditem ou nao, foi bem legal a missa, mas sai fora na hora da comunhao. dai tb ja era demais, ne?

Dresden - parte 1 - A missao

Com esses duzentos documentarios que estao passando na tv sobre o fim da guerra, fiquei na pilha de ir pra Dresden. Dei uma pesquisada e achei que valia a pena a viagem longa. Quando eu digo longa, e longa mesmo: 9 hora de ida, 9 de volta, troca de plataforma 5 vezes, tudo isso em um final de semana. Ou seja, tem que valer a pena MESMO. Mas eu li no site da Deutsche Bahn que estava tendo uma promocao, 29 euros de IC (o trem mais rapido) para qq lugar da Alemanha. Ou seja, sai de casa as 17h muito feliz com a possibilidade de estar em Dresden ainda naquela noite. Vcs ja podem imaginar que isso nao aconteceu, ne? Cheguei la, o homem da Deutsche Bahn, com aquele jeito simpatico que os funcionarios aqui tem de ser: "Vc nao leu? tinha que ter reservado 3 dias antes" So, que esse detalhe estava escrito bem bem bem pequenininho, no fim da pagina. Tipo aquelas promocoes da loja Taurus, sabe, que vc ve na vitrine "Estante - R$30", gigante, e em baixo, minusculo "12x de". Tipo isso. Dai o proximo trem para Dresdem ia ser as 4 horas da manha. Eram 18h de sexta. Nao tem onibus aqui antes das 5h. Ou seja, eu teria que ficar por ali. "Ta, pode me dar, vou as 4h" O moco olhou incredulo e fez tipo o seu Silvio no Jogo do Milhao "vc esta certa disso? depois que eu imprimir nao tem jeito...". Com o bilhete na mao e 10 horas pela frente eu nao tinha muitos planos. Passei pela cidade, andei de busao para regioes desconhecidas, tomei 15 cafes e ainda era 22h. Resolvi ir no cinema, ainda nao tinha ido ao cinema aqui. Pela bagatela de 7,50 euros, assisti a um filme muito engracado, chamado Kebab Conexion. Muito legal o filme, e um olhar turco sobre as relacoes entre turcos e alemaes, mas sem ser politizado. Acabou o filme, 1h, eu ainda tinha tres pela frente. Um frio da porra. Fui para a estacao, minha mae me ligou, estendi meu saco de dormir e tentei dar uma cochilada. 4h! finalmente!! darmstadt-frankfurt, frankfurt-kassel, kassel - halle, halle-leipzig, leipzig-dresden. As 15h cheguei em Dresden. Sem banho, dormida no chao da estacao, uma lastima. Mas o que foi bem legal de pegar o trem pinga-pinga para o leste foi perceber como as diferencas sao notaveis na medida em que vc vai chegando se aproximando da leste. Impressionante! Pela linha ferroviaria, a gente percebe que tem muita casa abandonada e apedrejada, coisa que no sul nao tem. Muita pixacao, coisa que no sul tem muito menos. As cidades tem uns nomes mais russos, tipo Gorlitz. Nao achei que desse para perceber tao bem.

Thursday, May 05, 2005

Dica pros pobres

Galera, se der certo isso daqui, e o canal.
Sempre pensava "como seria bom se a gente tivesse um conhecido em casa cidade, so para poder dormir na casa. Nao quero luxo, nem lixo, so um chao e quatro paredes para me abrigar. Se rolar uma pia para escovar os dentes, melhor!". Mesmo albergue por aqui e bem caro, nao sai por menos de 15 euros. Entao, descobri que isso existe. O Hospitality Club e uma ong, um site que vc se cadastra e tem um monnnte de gente disposta a te receber e te dar abrigo. Achei isso muito legal, e um monte de gente querendo conhecer gente e querendo ajudar. Quando eu voltar, vou convencer minhas manas a gente fazer o mesmo, receber gente. Nao sei se e meio arriscado, vamos ver, se der certo eu conto. se der errado tb.

Una giornata particolare

Meu, hoje o dia foi muito da hora. Primeiro que fez sol, o que ja aumenta a possibilidade do dia ser legal. Segundo que foi feriado aqui, possibilidade dobrada.

Fui com o Werner e as meninas em um museu de matematica, em Gießen, uma cidadezinha bonitinha que fica a uma hora daqui. Fui sem muita expectativa, mas chegando la, fiquei pirando. E tipo um museu interativo, com um monte de brinquedos que provam as leis matematicas. Vc participa, confere com os proprios olhos que as formulas malas que vc aprendia no colegia realmente dao certo. Eram 3 andares cheinhos desses brinquedinhos. Tinha uns brinquedos alucinantes. Tinha um que calculava o posicionamento da sua data de nascimento no PI, sabe aquela medida do circulo (3,16... infinito?). tipo, 210583 (minha data de nascimento) estava na posicao 569.888 (isso e um exemplo, eu nao lembro o numero) do Pi. Tinha outro que era um mapa com todos os continentes e mostrava a taxa de crescimento de cada continente e quantas pessoas estavam nascendo naquele momento. O botaozinho da Asia na parava de crescer, cara, juro que era um nascimento por segundo. O da Europa era uma morte a cada cinco segundos mais ou menos, o numero so descrescia. Ah, entendi pq aqui so tem velho, a taxa de crescimento e -0,2%!!! isso que da ter boa qualidade de vida...

Tinha um, nossa, nesse eu fiquei pirando uns 15 minutos, que era um espelho muito louco, que te mostrava de uns 43 angulos. E maior engracado se ver por um angulo que o espelho normal nao te mostra, me estranhei, parecia que era outra pessoa... salve Pirandello!

Bom, adorei esse museu. E precisa ver, o mudeu tava cheio de criancas pirando no Pitagoras. Imagine se quando eu tinha 10 anos eu queria ficar saber de vendo circulos e hexagonos, eu queria era ver o Chaves! hahaha

Depois, meu pai alemao ... ah, alias, eu ensinei outra giria para ele. como ele ta solteiro, ele ta saindo todos os dias, na esperanca de conhecer uma alemoa. Dai eu ensinei para ele que no Brasil ele "esta na balada". hahahaha, muito engracado, quando eu falo que ele ta na balada, ele entende e concorda. Entao, como ele ta na balada, na volta ele resolveu encontrar uns amigos em um festival de Jazz. Animal, era uma banda de jazz muito loca tocando no meio de um bosque. tanto e que o bagulho chamava Jazz in Wald. Putz, me rachei de rir com a banda. Nao conheco todos os instrumentos, mas tinha um instrumento que era tipo um coadjuvante, tipo, ele nao era usado na musica inteira. Tinham tres exemplares desse dai, tocados por 3 alemaes de uns 20 anos. Como eles so entravam de vez em quando, se nao era a vez deles eles ficavam trocando ideia e bebendo breja, que ficava no pe deles. tipo em um boteco, no Bh quando nao tem lugar para sentar e a gente fica empoleirado no balcao, era exatamente isso. Dai, quando eles viam que estava chegando a parte deles, eles punham a breja no chao, abriam na pagina e tocavam um minuto. Dai, pegavam a breja de novo e trocavam mais ideia e bebiam mais breja... hahahaha, estar no palco era mera coincidencia.

Wednesday, May 04, 2005

O consolo final

Estava estudando na mesa da cozinha hj. eu de um lado e a Anna do outro. por coincidencia a gente estava estudando o mesmo assunto, tempo verbais de verbos irregulares. dai ela me perguntava uns, eu perguntava outros para ela, a gente trocava uma figurinhas. la pelo decimo verbo, ela encheu o saco, levantou-se e disse "Alemao e tao chato! E tao dificil!!". Yessss, ela e alema e acha dificil o mesmo assunto que eu tento decorar ha uma semana! Se ela entendesse portugues eu diria "posso te chamar de mae?". Me senti totalmente consolada (e acompanhada)na minha ignorancia.

Novos meios de transportes

Putz, essa foi demais. Fui levar a Anna hoje na aula de violao. Ela me convenceu a ir de patinete. ahhahahahaha, da para imaginar, eu de patinete? CLARO que cai e machuquei minha perna. Mas foi muiiittoo divertido. dai eu disse para a Anna:
-Anna, esse brinquedo e divertido!
-Na verdade, Lorena, nao e um brinquedo e um meio de transporte.
Pode ser, entao. Mas continua sendo divertdo.

uma licao de historia. e de orgulho. ah, e de humanidade tb.

A Andrea, minha mae alema, foi viajar com o namorado e ficamos so eu, o werner e as meninas aqui. O Werner e muito legal, da para troicar muita ideia com ele e na medida em que meu alemao vai melhorando ainda mais. Ele manja muito de historia da Alemanha, costumes e habitos. Para mim e um prato cheio. Sempre bombardeio ele de perguntas, que ele ama responder. E nao e papo, nao, ele ama mesmo. Busca o atlas, explica, busca revistas antigas mostra. Meu, hj, por exemplo, aprendi mais em um jantar que em um semestre. Tudo comecou porque no dia 8 de maio vai fazer 60 anos que a Segunda Guerra Mundial terminou, e por isso, esta rolando um monte de documentarios na tv sobre esse assunto. Em um deles, fiquei sabendo que a cidade em que eu estou, Darmstadt, foi bombardeada e nao sobrou quase nada. Perguntei para ele sobre isso no jantar. Ele me contou que a cidade foi mesmo bombardeada e que sobrou muito pouco do que era originalmente. Eu ja tinha reparado que a cidade era meio feia, mas depois que eu fui para Heidelberg, a diferenca ficou gritante. Dai ele buscou um livro chamado "Älter Darmstadt", nada mais, nada menos, que centenas de fotos da cidade antes da destruicao. Meu, era IGUAL a Heidelberg, mas sem o rio no meio. Digo, as casas eram tipicamente alemas. Mas depois do bombardeio nao havia dinheiro para recontruir as casas como elas eram antes, entao eles usaram material mais barato e construiram caixotoes, mesmo. Afinal, como observou o Werner, as pessoas tinham que ter um teto.

O que foi muito engracado foi que eu comecei a usar o UNS (NOSSO, em alemao), para falar da Alemanha. Tipo "A gente foi bombardeado?". Nunca tinha pensado na guerra por dentro, entranhada na coisa. Entao, eu comentei que as pessoas do Brasil fazem uma ideia diferente do povo alemao, "a gente imaginava que Hitler e meio um tabu". Nisso, a Anna, a menina mais nova "Hitler foi um homem muito mau". dai eu ainda comentei que a Alemanha tinha sofrido muito (galera, toda essa conversa em alemao, fiquei muito orgulhosa de mim). Nisso, o Werner, o alemao, disse "E, mas nao da para esquecer o que a Alemanha causou. Se a gente sofreu, os russos e os judeus sofreram muito mais". Fiquei beje, beje, beje.

Continuando a conversa ele comecou a me contar da divisao da Alemanha pos-Guerra Fria e tal. dai eu perguntei do posicionamento da Alemanha na Guerra do Iraque. ele foi enfatico "contra". nisso ele parou. juro, ficou com o olho cheio d´agua, parou d efalar uns segundos e disse "mas o que para mim e dificil entender e como a Alemanha, que ja sofreu tanto com guerra, permitiu que millhares de pessoas fossem mortas na guerra na Iuguslavia (aquela de Sarajevo) de bracos cruzados". Nisso, ele parou de novo. "Vc consegue imaginar, a gente tinha dinheiro, a gente podia ajudar e nao fizemos nada. A Iuguslavia fica a mil quilometros daqui, e aqui do lado, e a gente permitiu que milhares de pessoas fossem mortas".

dai a conversa ja descambou, ele me contou que quando tinha 17 anos viajou de Kombi (hahahaha, fala serio, ele tb e da pegada) com uns amigos pelo litoral da Croacia...

entender alemao esta me trazendo mais vantagens do que eu esperava. ha um mes, seria impossivel levar a conversa a esse ponto. pouco a pouco o estereotipo do alemao vai caindo e caindo. ainda bem.

Tuesday, May 03, 2005

E as novidades?

Todas as vezes que ligo para a minha mae eu pergunto: "Mae, e as novidades?". Nao desde que eu estou aqui, acho que desde que mudei para Sao Paulo, a pergunta e religiosamenten feita em toda a ligacao. E aqui, nao seria diferente, pior, a busca por novidades se agravou.

A questao e que todos pensam, e talvez estejam certos, que quem teria que ter novidade era eu. Nada mais natural, quem esta em outro pais e vivendo tudo diferente sou eu mesmo.

Mas a questao e que, incrivelmente, aqui me acontece muiiito menos coisa que ai. Muito pelo contrario, a novidade e que eu quase nunca tenho novidades. E quer saber? Estou achando otimo. Ai no Brasil a minha vida social era tao intensa (Salve, Passabola) que a todos os momentos eu tinha novidades. Bafoes, casos alheios, casos meus, gente que eu conhecia. Aqui e diferente. E muita coisa nova, mas um monte de coisa que nao da pra contar, so para viver. Pequenas, bem pequenas. Como os novos sabores de iogurte que eu nunca tinha ouvido falar, o seminario sobre salsichas que minha mae alema me deu, o motorista de onibus que pos um cd do Louis Armstrong no caminho, os punks sentados na fonte da Luisenplatz (principal praca de Dramstadt) o sol se pondo as 9 da noite... Nao faz sentido para quem le, so para quem vive. Sem a avalanche de acontecimentos, eu consigo prestar muito mais atencao nas coisas pequenas.

Quando eu cheguei aqui, ha um mes e meio, pensei "Esse daqui vai ser meu ano sabatico". A Marcela (fofa) me escreveu um email (fofo) "Lo, e engracado, mas vc ja parou para pensar nesse ano como uma pausa?". Ja, Mazinha, ja sim. Aqui fico lembrando de um monte de conversas que eu tive ai. Lembro de uma com o Jadyr, essa eu me lembro sempre: "Vai ser legal para vc olhar as coisas com o distanciamento". Na hora, nao entendi a amplitude, mas acho que agora eu entendo.

Monday, May 02, 2005

Copa 2006, me aguarde

Hoje dei um carrinho e fiz um gol. Ganhei respeito naquela espelunca.

Sunday, May 01, 2005

Olha o passarinho...

Nao, nao e nada disso que vcs estao pensando. (infelizmente...)
A questao e sobre fotografia. Quem me conhece, sabe que esse assunto ja esteve em voga na minha vida muitas vezes. De um jeito ou de outro, sempre esbarrava com fotografos interessantes e sensiveis (um mais, outros menos) o que rendia looooongooos papos sobre a funcao da fotografia, fotografia como obra de arte e derivados amadores do genero. Mas a verdade e que embora eu ache sensacional a fotografia como arte, tenho muito pe atras com o ato de fotografar. E nessa viagem percebi muito isso. Eu vim para ca sem camera e ainda nao comprei uma, quem me emprestou foi a minha mae alema. Uma camera da era da Tiguera, mas que cumpre a sua funcao, que e nada mais nada menos do que tirar a maldita foto.

Eu acho muito engracado, as pessoas as vezes se preocupam tanto, tanto, tanto, de tirar a foto, que se esquecem de viver o momento. E eu percebi isso muito claramente aqui. Fui para Stutgart esse fim de semana. A cidade e bonita e vai sediar alguns jogos da Copa, mas nao e nada de tao especial, Heidelberg da pau em Stuttgart, facil. Fui com uns brasileiros, muito legais, me diverti bastante com eles. Paramos em frente a um Schloss (uma construcao ampla e antiga) bem bonito, bem bonito mesmo. E o dia estava lindo, foi o primeiro dia de calor aqui na Alemanha, tava um sol de rachar, 28 graus. Ou seja, tudo estava muito mais bonito. Tirei algumas fotos, inclusive uma de um pato sensacional que estava nadando numa fonte, e percebi que um dos garotos tirava 10.000 fotos tendo como unica personagem ele mesmo. Fez pose em frente ao Schloss, em frente a fonte, em frente ao Museu... dai ele estava voltando de uma das suas fotos e eu perguntei "Vc sabe o que que e aquilo ali que vc tirou foto em frente?". Juro, pela mais pura curiosidade, sem malicia alguma. E ele disse "Nao, deve ser um Schloss qualquer".

E parece que essa femomeno piorou com a onda digital. As pessoas nao se preocupam em entrar na vibe do lugar, sentar tranquilamente e pirar em detalhes da obra, essas coisas pequenas, que nao custam um centavo e dao um enorme prazer. Em compensacao, tiram milhareeess de fotos para depois mostrar (ou mandar por email) para os amigos e dizerem "Ah, isso daqui foi em Stuttgart". E os amigos, ja um pouco sem paciencia (ja que foto de viagem e legal so para a gente) dizem "Putz, que bonito!". Pra que tirar, para dizer que ja foi?

Nao to dizendo que e o caso do coitado, nem conheco ele direito, mas e uma coisa que eu sempre observo. As viagens que eu mais me diverti eu tenho poucas, ou quase nenhuma foto. A minha viagem para Porto Seguro com as meninas do Porto, eu nao tenho nenhuma foto. A minha viagem para Ouro Preto com a Marina e a Layla, eu nao tenho nenhuma foto. Quando viajei para o Rio com a Ligia e a Bob, nenhuma das ters levaram camera, compramos uma la, descartavel.

Obvio que sei que os fotografos de cada turma tem seu papel e eles estao certamente em minhas oracoes diarias. Sem a Nara e a Juzinha, nao teriamos nenhum arquivo fotografico do Passabola, sem a Marcela nenhum regsitro das nossas peregrinacoes pelos botecos fedidos de Sao Paulo, sem a Layla, nenhum evento familiar para a historia. Mas definitvamente, esse nao e o meu papel no mundo.