Thursday, July 21, 2005

Ausencia

Estarei ausente desse blog, emails e qualquer outro meio de comunicacao ate 7 de agosto. Vou de novo com a minha familia alema para o sul da Franca. dessa vez, tomar sol, ja da outra vez so tomei vento e frio. Emergencias? Recorram a outros amigos, nao estarei por aqui, mesmo!

Fotos, endlich





Nao aguentava mais a cobranca por fotos, resolvi superar meu trauma d etecnologia e aprender de uma vez a mexer com a tal da camera digital, conectar cabos, diminuir fotos. Com auxilio tecnico, claro (rs), mas consegui. Seguem ae, poucas, tem algumas no meu orkut. A primeira é em Rotterdam (com a bicicleta hahahah) e a segunda em Frankfurt, no barco. Depois posto mais, prometo.

Wednesday, July 13, 2005

A Terra do Nunca

"Certa vez eu ouvi alguem contar,
que alem sobre o arco iris há um lugar
onde o ceu todo azul nos faz sonhar
onde a gente consegur o sonho realizar"

Se Amterdam tivesse uma musica tema, acho que seria essa ae acima.
Sexta feira sai da Alemanha, fiz uma parada rapida em Rotterdam. A fofa da Olivia, namorada do Ariel, mora la e eu aproveitei para fazer uma visita e conhecer a cidade. Aluguei uma bike e me aventurei pelas ruas da cidade. O problema é que na Holanda os freios das bicicletas sao nos pés. Até ae, tudo bem, a Nara sempre disse que eu tenho muito mais coordenacao com os pés que com as maos (o que nao quer dizer muita coisa).

Apos alguns tropecos e um semi atropelo ja na saida da Estacao Central de Rotterdam, consegui me afinar com a bike. O mais legal, tanto em Amsterdan quanto em Rotterdam, é que como as ruas sao cortadas por canais, praticamente nao ha ruas paralelas. É um delirio para quem gosta de ficar perdido, como eu. Em cada ruelinha, parecia que eu ja tinha passado, mas eu ia desembocar em um lugar totalmente novo, que eu nunca tinha visto antes.

Fiquei pouco tempo em Rotterdam, so a manha de sabado. Mas o que vi eu gostei. Fui de bike ate a Ponte do Erasmo. A ponte é irada, uma das construcoes mais bonitas que eu ja vi. Alias, na cidade, tudo tem o nome do Erasmo, o cara é um heroi local hahahahah. dai, estava em um mercado local, desses que vem de tudo, desde bicicleta usada ate melancia. Parei para encostar a bike e vi um velhinho comendo Arenque. Nossa, o meu olho ja brilhou no Arenque do veio. Dai perguntei o que era e ele me deu um Arenque. Boa praca o velhinho. Quase pedi um naco de pao, mas achei que era abuso.

Nisso, pedi para um negao tirar uma foto minha encostada na bike, como prova do meu esforco fisico. O velho nao se lanca do meio da foto com um pedaco de melancia e corre em minha direcao "Tira com isso aqui na mao, vai ficar bonito!" hahahah, o jeito foi mandar a melancia para dentro tb.

Fui para Amsterdan, direto para o Hotel Asterics, onde tinha combinado de encontrar a Ligia e o Mauricio. Nossa, como foi da hora rever a Preta. meu, 3 meses parecia muito tempo. Passeamos pela cidade, fomos no Red Light District, que é uma grande vitrine com varias reparticoes e prostitutas oferecendo seus prestimos aos transeuntes dia e noite, passamos pelos coffees shops (que nao sao poucos). Amsterdan é legal, bem bonita, mas é esquisito caminhar em um lugar onde vc tem a nitida impressao onde ta todo mundo louco. Quer dizer, nao é impressao, ta todo mundo louco, mesmo. A galera rindo para caralho, todo mundo de oculos de sol... é engracado.

Bom, a parte zoada comecou quando chegava a hora de ir dormir. Tinha procurado albergue uns dias antes e tava tudo lotado. Entao decidi mais uma vez optar pelo sistema do hospitality Club, aquele que vc fica com a galera que oferece a casa sem pagar nada. mas o cara foi um cuzao de marca maior. Liguei para ele e el "ah, da uma meia hora e eu passo ae para vc jantar comigo e com meu pai" meia hora, quarenta, uma hora, liguei de novo "ah, na verdade, nao vai dar mais para vc dormir em casa, meu pai ficou meio puto com a ideia". e por causa da opiniao do seu pai, cidadao, eu nao tenho onde dormir essa noite. vaguei por amsterdan TODOS os hoteis, qq moquifo, tudo estava lotado, tudo. pensei em dormir na estacao de trem, mas descobri que a estacao de amsterdam, em funcao dos inumeraveis loucosque circulam pelo night, fecha. Roda, Roda, Roda. Vi o Hotel Paris. Nao custa nada.

Entrei no saguao e ja vi aqueles lustres com cristais, sabe, tipo do Museu do Ipiranga. perguntei o preco "80 euros o quarto". Só se eu fizesse um frila no Red Light District antes. "posso me sentar?". sentei e comecei a papear. Tamered era o nome do porteiro etiope que trampa no Paris Hotel. Fiquei umas dua shoras conversando com o Tamered, que é uma figuraca. Ele soltava perolas do tipo " A policia so existe em Amsterdam para garantir que a gente fique bem louco e faca muito sexo" hahahah. so dei risada com o cara. Depois de umas horas ele disse "quer saber? estendeu seu colchao ai no meio das mesas. amanha eles comecam a servir o buffet de cafe da manha umas 7, eu te acordo antes, tudo bem?". Se estava tudo bem? quase que eu chamei ele de pai.

Capotei. Quando deu umas 7 ele me acorda: "lorrrennnaa, acorda. vagou um quarto, pode ir para la dormir" Como um hospede tinha feito check out mais cedo, ele deixou eu dormir nesse quarto. entrei no quarto, cheio de resto de maconha, seda , garrafa de cerveja hahahahaha. É a cidade do pecado, mesmo, a Sodoma entre os canais. Me joguei na cama, ignorando os vestigios toxicos e capotei. Dormi mais umas duas horas, acordei, tomei banho. Desci e estava agradecendo ao Tamered quando ele disse "onde vc vai? vc é hospede, tem direito ao cafe da manha!". Meu, gente boa existe no mundo, e ele nem tentou, nem insinou querer meu corpo. A lagrima quase escorreu.

Tuesday, July 05, 2005

A arte é um momento de tensao

me dou super bem com as meninas aqui da casa. elas me corrigem, riem do meu sotaque de latino americana, me ensinam a jogar jogos alemaes, eu ensino elas a fazer embaixadinhas, resumindo, a relacao é para la de harmonica. So existe um momento de tensao: quando elas pedem a minha ajuda para os trabalhos na aula de artes. explico o motivo.

tenho trauma dessas aulas de educacao artistica, um trauma profundo por inumeras circunstancias que ja ocorreram nessa disciplina.

a primeira foi quando Leticia, minha linda irma menor, tinha apenas 6 anos, estava no prezinho e eu ofereci meus prestimos para ela fazer um trabalho de colagem. desde pequena eu ja demonstrava inclinacoes para a arte kitsch e coloquei tanto brocado no trabalho da menina que o caderno nem fechava mais. o resultado foi uma nota baixa e criticas da professora, que quando se deparou com o trabalho exclamou "o que que é isso?". triste, ma snao para por ai.

na segunda serie, fiquei amiga da Renata, para quem nao conhece, a menina tem as manhas. desenha bem, é caprichosa e tal. renata era otima em artes, mas pessima em educacao fisica. entao, travamos um pacto silencioso: eu, que sempre era capita, escolhia a Renata entre as primeiras opcoes do meu time, para ela nao passar a vergonha de ser a ultima a ser escolhida. por outro lado, nem relava no meu caderno de artes, ele ia direto do armario da professora para a mesa da Renata, onde ela elaborava as colagens, recortes e montagem dos meus trabalhos como se fossem os delas. foi um dos tratados mais justos que eu ja fiz na minha vida. REnata nao saia desmoralizada da aula de educacao fisica e nem eu na de educacao artistica.

no primeiro colegial, acreditem, quando achei que ja tinha me livrado do carma, surge de novo educacao artistica entre as disciplinas. Renata continuava na minha classe, mas a professora era mais esperta dessa vez e passeava entre as mesas conferindo as obras primas. A Re tentava me ajudar, mas era dificil, porque eu realmente nao tinha o dom mesmo. Entao, um dia me resolvi a fazer a tarefa sozinha. O trabalho do bimestre era fazer um pote de argila. Estava eu, bem compenetrada no meu pote de argila e posso dizer que estava orgulhosa do meu trabalho: saira um belo pote de argila, com umas alcas extras, um experimento da psicodelia. Renata olhava para o meu pote com rugas questionadoras na testa e a sobrancelha erguida, mas eu estava apostando naquela obra de vanguarda. Quando de repente, o Cury, sabe aquele menino que é o nerd peidorreiro da sua classe? ele mesmo, passa e derruba meu pote. as alcas caidas no chao, meu pote era agora ruinas. Eu estava desconsolada e nisso a professora passou pela minha mesa e viu meu pote. e disse "nossa, ta beeeemmm melhor agora".

cheguei aqui na Alemanha com essa carga de experiencia traumatica e entao a Anna, a mais nova, um dia me pede "vc pode me ajudar com o meu trabalho de artes?" MEDO, GELEI. "aber natürlich", respondi.

A missao era pintar cada animal pre historica de uma cor. Eu tinha de dar um jeito de nao relar naqueles lapis de cor, a mina é maior dedicada a escola, imagine se ela tira uma nota baixa por minha culpa, nossa, to na roca se isso acontece. Entao, ela pegou a caixa de lapis e deixou do meu lado. Comecei a dar uns palpites do tipo "Ah, como o mamute é um animal terrestre, acho que vc poderia pintar ele de marrom". "ah, ta sem ponta o marrom? pode deixar, eu vou procurar um apontador, eu aponto" e pinicava. "tive uma ideia, pq vc naofaz disso daqui um guache? nao, pode deixar que eu busco um potinho d´água". Ufaaaa, escapei. O trabalho ficou bonito, claro, porque eu nao pus a mao.

Minhas amigas sempre disseram que eu tenho o dedo podre, mas eu sempre achei que fosse porque eu sempre ficava com o cara mais podre, ou o mais cafageste, ou o mais maluco ou o mais feio da balada. Sera que tem outros motivos?

De festa popular, a Alemanha tá cheia

Com a chegada no verao, as festas poulares estar pululando na Alemanha. Para os amigos estrangeiros, sintetizarei a essencia do que é uma festa popular na Alemanha.
Os que sao do interior provavelmente conseguirao vislumbrar melhor. Aos jundienses, imaginem a festa da Uva em proporcoes gigantes. Aos valinhenses, a festa do Figo. É por ae. O que muda apenas sao as comidas populares.

Aqui em Darmstadt, rolou de quinta passada ate ontem a Heinerfest, uma festa que, para as proporcoes de Darmstadt, é uma festa grande. Todo o centro da cidade foi fechado e tomado por brinquedos, barraquinhas de salsichas, até o bom e velho yakissoba tinha. Sem contar nos Biergartens e as musicas populares. Respeitando as proporcoes, as ruas estavam parecendo Las Vegas, com muita iluminacao e millhares de premios totalmente perdíveis, como aqueles ursos de pelucia com os olhos tortos.

Sexta, saida de um churrasco com um brasileiro em avancado estado etilico, inventamos de ir no chapeu mexicano. Para comecar, sem mesmo o brinquedo ter comecado a andar, ja comecamos a nos degladiar, ele da cadeira dele e eu da minha. Foram sucessivos chutes e empurroes, interrompidos somente pela chegada do simpatico funcionario alemao responsavel pelo brinquedo que mediante uma bronca germanica interrompeu, provisoriamente, o espetaculo. O brinquedo comecou a funcionar e a gente a subir. Foi muito legal, deu para ver Darmstadt toda do brinquedo. Dai, la de cima, eu tive uma ideia, prontamente aceita pelo meu companheiro de brinquedo. "O, vamos cuspir?".Hahahaha, nossa, mas de dentro, direto para baixo.

Mas o mais legal dessa festa é que deu para subir no monumento em homenagem ao Ludwig I. Normalmente é fechado, mas em razao da festa estava aberto. Esse monumento fica na Luisenplatz, a principal praca aqui de Darmstadt, tem uns 30 metros de altura e como vc podem conferir no link acima, trata-se de uma alta coluna com o Ludwig montado em um cavalo. Para alcancar o topo, foram nada mais nada menos que 200 degraus em uma escada íngreme e uma luz precaria. Na descida, um alemao reclamao tomou um capote que quase acordou o Ludwig I da tumba. Esse monumento foi erguido depois da morte do Ludwig I (se nao me engano entre 1841 e 1844), em homenagem a grandeza do homem. O tempo ontem deu uma esfriada, tava uma friaca la em cima, para dava para ver toda a cidade, dava para ver até as chamines da cinzenta Frankfurt.