Wednesday, October 12, 2005

O rally da manguaca

O IDEA, tipo o gremio da Universidade de Darmstadt, promove varios eventos para integrar os estrangeiros matriculados na Uni. Sabado fizeram um cafe da manha, semana que vem vai ter um jantar as cegas (vc se inscreve e vai jantar com uma galera que vc nao sabe quem é) e ontem teve o KneipeRally, que traduzindo é rally entre os bares.

A brincadeira é assim: os estrangeiros sao divididos em grupos. Cada grupo passa uma hora em cada bar, manguacando. Sao quatro bares, cada um com sua especialidade vendida a precos modicos para os estudantes. Tem um controlador, que marca o quanto cada grupo bebe. O grupo que beber mais ganha. Parece simples, mas foi só bafao.

Primeiro porque alguns brasileiros, entre eles a docura do meu namorado, queimaram a largada e ja se embebedaram antes mesmo da brincadeira comecar. Percebi que o estado etilico dele era avancado no que a gente foi atravessar a rua, o sinal ficou vermelho e ele soltou "Scheiße, mano". Brasileiro ja chama atencao pelo estardalhaco que sempre faz, bebado, entao, calculem.

O primeiro bar foi coincidentemente o Brasil e a especialidade, claro, caipirinha. Sentei da mesa de uns americanos e um britanico e ja vi o rosto da galera comecar a ficar vermelho na medida em que os copos de caipirinha iam se esvaziando. Ate ae, tava tudo meio sob controle.

O segundo bar era o Latin e a especialidade, tequila e Jägermeister. Virge, dai ferrou. Tinha um piano no bar, eu e o Daniel ficamos causando no piano, a galera ja comecou a ficar descontrolada, se debrucavam em cima do balcao, eu so via as bandejas saindo cheias de copinhos.

No caminho do segundo para o terceiro, eu ja nao me lembro perfeitamente das coisas. O que sei foi que hoje acordei com uma meia que nao era minha. Dai me lembrei que nao sei porque cargas d´água, eu, o dani e o antonio trocamos de meia no meio da cidade. Agora o motivo, desconheco ate agora.

Terceiro bar era o Ratskeller e a bebida era cerveja. Nesse eu arreguei e nao tomei nada.

O quarto era o Hobbit e a bebida era o Apfelwein, um vinho horroroso feito de maca. A galera ja tava muito, mas muito bebada. O Neury invocou com um frances sentado na nossa mesa, pq parece que o frances disse que alguem de nos fedia, nao entendi muito bem. Nisso, tinha uma espanhola tambem sentada na mesa, e alguem estava falando portunhol com ela.

A partir desse momento as lembrancas ja comecam a ficar embaralhas, sem sequencia.Eu sei que fomos mandados embora do bar, ja tava fechando e a gente ainda la. Eu nao sabia nem mais quem eu era e estava de bike. É claro que nao fui embora de bike, tenho amor a minha vida.

Claro que nao sei qual grupo ganhou. Alias, desconfio que a competicao é apenas um pretexto para estimular a integracao. A bebida tambem une.

Fotos

Tuesday, October 11, 2005

Universidade

é isso ae, galera, finalmente consegui me matricular na Universidade aqui.
vou fazer um semestre de Germanistik aqui e depois de volta para o Brasil.
Passou rapido, ne?
nem sei se vou conseguir passar nas materias, mas tb isso nao é o mais importante. O mais importante é ter esse contato com a universidade, com as pessoas, gente que tens os mesmos interesses que eu, ver como é, mesmo. E alem disso, conhecer mais estrangeiros.
olha a foto do predio das Humanas aqui em Darmstadt.

Thursday, October 06, 2005

Na Balalaika

Convidei as russas e uma dinamarquesa que estao fazendo curso de alemao comigo para ir numa festa dos brasileiros la no Karlshof, a moradia dos estudantes aqui em Darmstadt. Achei que caras femininas novas iam fazer bem a eles e a mim, e senti desde o comeco que as minas eram da pegada. Mas nao imaginava que elas eram TAO da pegada.

As russas sao fodissimas. Bebem como homens. Quando eu contei para a Katerina e para a Nastja que tinham uns 20 homens, entre compromissados e solteiros, elas surtaram e fizeram um brinde a "Bettkomunikation", ou seja, a comunicacao entre camas. Desde entao senti que o bagulho ia pegar fogo.

A dinamarquesa é uma fofa, muito legal, muito inteligente e tambem como bebe.
Hora que as tres chegaram na festa, os homens emudeceram: nao é normal tantas garotas em uma festa de engenheiros. Mas com a ajuda do vinho, da cerveja , da vodka e do rum que eles roubaram do frances que divide apartamento com o Andreas, eles logo tiraram as meninas para dancar forro. A coisa mais engracada do mundo é ver russa dancando forro. Mas ate que elas levam jeito para a coisa. A dinamarquesa logo se engracou com um turco, e as duas russas cairam nas maos de dois brasileiros . Na hora do knütschen (amasso, em alemao), todas as nacionalidades falam a mesma lingua.

Ontem teve curso e fui bombardeada de perguntas: "como se diz isso em portugues?" ou "o que quer dizer isso em portugues?" e tal. Nisso a Nastja me lanca "o que quer dizer poe a boca?" Comecei a me rachar de rir e perguntei onde ela tinha ouvido aquilo. Quase me mijei quando ela disse que foi o brasileiro que ela pegou que disse isso para ela. Expliquei o que queria dizer (no contexto, é claro) e ela "ele me disse que cala a boca e beija logo" Dai entendi que era CALA A BOCA. mas ainda assim´, pode ser foda, dependendo do contexto ...

Oktoberfest, senhor pai amado

Para comecar, vamos esclarecer uma coisa: a Oktoberfest nao é em outubro, mas sim em setembro. Sao tres semanas de Oktoberfest, ela termina na primeira semana de outubro.

Eu tava com uma gripe do diabo, alias, minha gripe merece um comentario antes de comecar a falar de Oktoberfest. Foi a primeira vez que eu vi uma vantagem em ter gripe. Aqui na Alemanha, a galera assoa mesmo o nariz, onde quer que eles estejam, sem vergonha de ser feliz. Eles acham muito mais falta de educacao ficar puxando o ranho para dentro toda a hora do que botar ele para fora com uma boa assoada. É uma coisa cultural, vcs sabem. E como eu me adapto sempre às culturas locais, nossa, lavei a alma de asssoar o nariz. Quando eu sentia ele entupindo, ja dava aquela assoada que ressoava longe.

Beleza, eu e uma tribo guerreira de 6 homens saimos de Darmstadt em direcaoa a Munique. Sempre lembrando da pessima condicao financeira de todos na Europa, pegamos o trem mais barato, ou seja, no total, com as paradas e trocas de trem, levamos nada mais nada menos do que 12 horas para chegar em Munique. Contando tambem as dormidas nas estacoes. Contando tambem o frio da porra.

Chegamos em Munique, maior da hora, todo mundo trajando os trajes típicos da Bavaria, que consistem em calcas corsarios e suspensórios para homens e vestido (ou saia) com um decote que mama-mia para as mulheres. Confesso que com tanta oferta de peito, temi pela vida do meu namorado, que tinha ido uma semana antes.

8 horas da manha, os barracos (que aqui na Alemanha sao chamados de Biergartens) LOTADOS, LOTADOS, LOTADOS. Nem em disputa de classico Palmeiras e Sao Paulo passei tanto aperto para entrar em um lugar como passei para entrar no galpao da cervejaria. Uma hora pensei que ia morrer de falta de ar (meu nariz, apesar das assoadas, ainda estava entupido), vi Jesus. Foi entao que uma forca superior, uma luz, me empurrou para dentro. Sim, meus amigos, agora vontade de manguacar mudou de nome.

Eu só sei que devia ter umas 7.000 pessoas naquele Biergarten. Todas, sem excecao, unidas em um objetivo: se embriagar, o mais rapido possivel. Para os pobres brasileiros nao era uma missao tao facil, ja que só vendem Maß, que sao canecas de nada menos que UM LITRO DE BREJA, ao preco módico de 7 euros. Ou seja, a Oktoberfest é basicamente isso: comer os Pretzels que as meninas vestidas a carater vendem, experimentar os chapeus tipicos da Bavaria e sempre, nao parar de beber cerveja.

No meio do galpao fica uma bandinha animando a galera com os tradicionais Hits alemaes. Eu sei que quando era mais ou menos meio dia, ou seja, depois de quatro horas de intensa bebedeira, a galera ja tava descabelando. Subindo em cima das mesas, dancando em cima dos bancos. E lógico, eu no meio. Pedia para experimentar a comida da galera, dei uma mordida no Pretzel de um velho enquanto ele vacilava conversando com a velha do lado dele, fizemos um amigo, carinhosamente apelidado de "groß Onkel", traduzindo, tiozao. O tiozao tava beeeeem louco, beeemm louco, e pagou uma rodada de breja para todos os brasileiros. Eu sei que ele deve ter gastado uns bons 50 euros na brincadeira.

Quando deu umas 16 horas, eu ja tava vendo Genesio, nao dava mais para continuar. Peguei minha mochila e zarpei de volta. Mais 9 horas de viagem. Enrolada no saco de dormir (roubaram minha jaqueta), gripada, com febre, mas feliz, a Oktober foi da hora.

Quem quiser ver as fotos da Oktober, minhas, do tiozao, dos brasileiros, é só clicar no link que vcs estao lendo. Oktoberfest, segunda semana, bitte.